Thursday, October 01, 2015
Nao estas aqui.
Nao estas aqui, repito.
Mas sinto que estas.
O meu pensamento transporta-te aqui.
Sinto o teu cheiro, o teu toque,
escuto a tua voz.
Fecho os olhos e abraco-te e beijo-te.
Nao estas mais aqui. Tenho de repetir
varias vezes. Mesmo assim nao acredito.
Onde fica o que passou?
Quem o tem?
Nao estas aqui mas sinto-te mais
presente do que se estivesses porque
quero ter-te em tudo o que faco
por isso arranjo formas de te
relembrar a todo o instante.
Se isto nao e amor, o que e?
Nao sei de ti.
Nao estas aqui.
E tambem nao sei mais onde te procurar.
So em mim te encontro.
Sei que nao estas aqui.
E tambem sinto que doi.
E um amor que doi.
E mesmo assim eu quero como se
eu fosse uma masoquista louca e
gostasse de sofrer.
Se eu disser que me estas presente
todos os dias, e verdade.
E contigo que eu sonho.
E a ti que eu desejo.
E a ti que eu amo.
Embora saiba que contigo a caminhada
seria impossivel.
Nao sei o que es. Onde estas. O que
fazes.
So sei que aqui nao estas e eu
nao consigo arrancar-te ca de
dentro por mais que queira
e nao queira ao mesmo tempo,
com todas as minhas forças.
Daqui a pouco vou agir como se
estivesse tudo bem mas não esta,
nunca vai estar.
E se o que desejamos tem realmente
força, devias estar aqui, ser carne
minha.
Mas abro os olhos e nao estas aqui.
Posted at Thursday, October 01, 2015 by susana
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Monday, April 28, 2014
isto que escrevo é para ti
talvez quando o leres eu já tenha morrido
me esquecido de quem sou
isto que escrevo é para ti
como o são todas as coisas
e vejo-te
e espero-te
e sonho-te
e és-me
para sempre
mesmo que o para sempre tenha ficado lá atrás e jamais volte
isto que escrevo é para ti
e quero que saibas que me dói
que todos os dias me dói o que não aconteceu
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Saturday, October 29, 2011
chove
e cá dentro também
é vermelho e dói
caem pingos na calçada
e o que sinto cheira a ti
tem ossos
tem asas de borboleta
tem cor de sonho
escorrego do fundo para o princípio de mim mesma
e o que trago é a tua voz
imprecisa
incoerente
inconstante
transporto o meu corpo para outra de mim mesma
esta não lhe serve mais
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tiraste-me a casca
se estou sem casca não me vês porquê?
invade-me o frio
queria braços
queria pernas
queria que a casca nova fosses tu
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Monday, September 12, 2011
escondo-te
dentro das minhas mãos fechadas
recolho-te
espero-te aqui
amo-te
aqui
relembro o que foi nosso
as pegadas
entrelaço as minhas pernas nas tuas
deixa-me
deixa que eu te inale
é simples
temos músicas
temo-nos
aqui te espero
onde fica no presente o passado?
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Wednesday, February 09, 2011
fui
até ali e vim
quando voltei não me trouxe comigo
desgastei o corpo
e a vida
não mais me encontrei
o que tenho agora é casca
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Friday, July 09, 2010
recorto um coração
o meu
o que faço com ele não sei
recorto lágrimas
de anjo
de borboletas
de sorrisos
de caracóis
tenho penas que flutuam sobre o meu corpo
sou pena
voo
pra bem longe daqui
enterro os pés na areia
estou quase nua
quase sem mim
divago
se tivesse lágrimas também as recortava
se tivesse espaço entre as mãos recolhia os teus caracóis
se pudesse trazia-te comigo
e juntas enterraríamos os pés na areia
recorto-me
colo-me numa página de outro livro
de outra história
de uma em que estejas colada também
com os teus caracóis
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Sunday, May 16, 2010
tenho o meu corpo
com gavetas que abrem
para dentro
são gavetas de madeira velha e podre
partem-se ao mínimo toque
e cheiram mal
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Tuesday, April 27, 2010
sussurras-me
palavras
reencontro fragmentos de ti
retiro-me de mim mesma
e o que encontro és tu
acho as palavras desnecessárias
sussurras-me
e dos teus lábios saem metades de mim
entrego-te as minhas mãos
com dedos
com unhas
tenho um vestido branco
sou quase bonita
sussurro-te
estou aqui
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Tuesday, April 06, 2010
recordo
atrás de mim borboletas
e gotas sobre os meus cabelos
olho-te chegas
com a chuva suspensa entre os dedos
tenho uma pele de seda
tenho um penteado demasiado elaborado
e gotas que caem
e violinos que tocam
pára a chuva e sussuras
escuto-te
tens asas
e poisas atrás das minhas costas
olho-te de esguelha
o teu corpo quase cabe entre as minhas mãos
um corpo leve
que se desfaz por entre os dedos meus
como se fosse água
Posted at Tuesday, April 06, 2010 by susana
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